quinta-feira, 18 de julho de 2013

Parte 3


_Você esta bem Ana?

_Sim - ele abaixou as mãos e olhou ao redor procurando por alguém. Mas teve certeza que ela não estava ali para um encontro secreto. Olhou de volta para seu rosto que agora estava mais vermelho que nunca –esta tudo bem comigo. Só vim tomar um pouco de ar.

_Sua amiga estranha pediu que eu viesse atrás de você. Ela te viu entrando nesse bosque e ficou preocupada quando viu que estava demorando. Porque você veio para cá?

_Eu não sei...

Ela ainda olhava procurando pelo belo rapaz. Só estavam os dois sozinhos ali. Queria saber quem era. Se fosse algum aluno certamente o veria. Mas e se não fosse? Andaram tanto, que parecia que já haviam ido e voltado varias vezes. Analice sabia que estavam perdidos, que ele errara o caminho. Daniel a puxava pela mão sem saber ao certo para onde ir. Já era tarde, inicio de noite. E já se podiam ver os primeiros sinais de uma noite fria que vinha. Depois que partiram não mais disseram uma palavra um para o outro. Estavam cansados com fome e com frio. Analice só estava com um fino casaquinho. Sabia que seria muito pedir ele sua blusa, afinal nem o conhecia direito. Não queria atrapalhar o então guia perdido. Daniel parecia que não estava aceitando o fato de não estar achando a saída daquele lugar horrível. Nunca gostara de florestas, nem bosques. Sempre achou que um desses lugares poderia ser uma cena de horror onde morreria por uma criatura irreal. Andavam cada vez mais rápido, agora com medo de não chegar a tempo. Já não dava para ver o caminho, ela queria dormir. Ele queria ir para casa logo tomar um banho, sair para jogar um pouco de boliche ou ir a um cinema com a sua namorada. Sabia que ate então aquilo ficaria para outro dia.

_Estamos perdidos certo? –ela foi a primeira a falar. Não aguentava mais aquele silencio, e ele puxando-a como se fosse uma criança –acho melhor pararmos para descansar e depois continuar.

_Você esta louca! E ficar esperando a noite ficar mais fria e escura. Não estamos perdidos, já estamos quase chegando. Não vou ficar aqui nesse lugar! Passar a noite com uma estranha que nem se quer perguntou meu nome...

_Eu já sei o seu nome. Apresentações não são necessárias nesse tipo de lugar, onde você chega e já esta sabendo quem e quem. Alias não pedi para você vir ate aqui. Eu saberia muito bem ir embora sozinha. Da mesma forma que eu entrei, saberia sair.

_Sabe por que eu vim ate aqui? Você não sabe das coisas que acontecem nesse lago. Você acha porque que ele esta abandonado? Um lugar bonito daquele. Um aluno daqui entrou ai para nadar e nunca mais foi visto. Seu corpo não foi encontrado. Só acharam as roupas dele. Esse lugar ficou abandonado durantes anos, ate você e eu pararmos nesse labirinto. Eu não vou morrer aqui. Seja o que tiver acontecido com ele não vai acontecer com a gente. Vamos sair daqui ainda hoje, são e salvos!

_Mas não foi só nos dois. Havia um garoto lá também. Só que eu... Não perguntei nada para ele. E quando você estava chegando ele já havia sumido.

_Você esta vendo coisas. Ninguém entra aqui a não ser um louco ou para buscar um louco que e o meu caso. Vamos logo, chega de papo furado.

‘’Mas havia aquele garoto lá. Não eram coisas da sua cabeça, ela não era louca. Eu tenho que perguntar alguém sobre ele. Lembro-me do seu rosto perfeitamente’’. E começou a ser puxada novamente. Quando finalmente chegaram ao campo podiam avistar carros de policia com suas luzinhas acesas. E muitas pessoas ali olhando para os dois estranhos que vinham de mãos dadas de onde parecia ser um bosque mal assombrado.

_ANALICE!

Sua mãe vinha correndo em sua direção com os olhos banhados de lagrimas. A abraçou tão forte que ate sorriu se lembrando de Bela, que a olhava lá no fundo também chorando. Sua mãe alisou seu cabelo. Sentiu mais uma vez o cheiro dela. Queria ter certeza que a filha estava bem. Não podia suportar a ideia de que poderia te perdido sua filha tão querida. Seu pai logo depois veio vê-la. Não demonstrou muito o quanto estava preocupado. Nunca fora seu forte demonstrar sentimentos demais, somente em casa. Um policial depois de falar com Daniel veio em sua direção. Sua cara não parecia muito boa. Ele parecia aqueles policias que te condenam só de olhar. E se for preciso atiram sem nem ter motivo. Ela sentiu medo dele.

_Eu poderia ficar a só com a senhorita?

Ela fez que sim com a cabeça, ate que se afastaram um pouco para que não pudessem serem ouvidos.

_Então me diga o que foi fazer lá dentro?

_Eu fui só dar uma volta. Não sabia que lá era perigoso.

_Então você sabe que e perigoso? –pegou seu bloquinho e começou a anotar uns rabiscos –sim você estuda aqui, não, você não pode entrar no bosque para ver o belo lago. Será que não leu sua ficha quando entrou aqui? Deixe-me adivinhar, que ficha? Aquela que diz o que deve e o que não deve fazer aqui dentro. E lá dentro...

Ele apontou para o bosque que agora parecia saído de um filme de horror. Sua arvores que dançavam com o vento pareciam monstros gigantes. Aquilo a deixou apavorada e com vontade de sair o mais perto possível dali. Olhou novamente para ele, que a encarava como se ela tivesse feito algo de muito errado.

_Eu não irei mais ate lá. Desculpe-me não ter lido o que eu não recebi, agora se me der licença. –ela já ia saindo, mas ele a segurou pelo braço impedindo de partir. –o que isso significa?

_Eu sei o que você foi fazer lá. Sei por que esta aqui. E espero nunca mais ter que olhar na sua cara pelos próximos meses.

_Espero que um dia possa me contar. Não faço a menor ideia do que você esta falando. E não e porque esta vestindo uma farda que pode me repreender dessa forma. –puxou seu braço e sentiu que ele começava a apertar –você não merece mais minhas licenças.

Saiu andando ainda confusa do que ele acabara de acusa-la. Não olhou para ninguém, foi para o carro do seus pais, e ficou esperando. Não demorou muito e Bela ‘’esqueci-me de agradecer pelo guia’’ aparecer. Ela andava lentamente como se ainda estivesse decidindo se iria ou não falar com Analice. Já não estava mais chorando. Seus olhos pareciam um pouco inchados. Quando chegou ao vidro esperou que ela o abaixasse. Pegou a mão de Analice e colocou um pingente na mão dela. Não disse nada. Apenas deu um sorriso simples.

_Isso vai te proteger de tudo que acontece nessa cidade. Espero que não veja fantasmas... Essa piada foi ruim. Que bom que você esta bem. Ate amanha.

Ela saiu andando com as mãos nas costas, perdida em seus pensamentos. Não deixara nem que ela agradecesse por preocupar. Ela abriu as mãos e viu que o pingente era de uma lua, e atrás estava escrito quase apagado:

‘’só quem e puro sente outra alma. ’’

Aquilo não fazia o menor sentido para ela. Colocou o pingente, e desceu mais no banco ate se sentir confortável e pode relaxar. Foi um dia nada agradável, ser expulsa da sala, obrigada a nadar no frio, uma não amiga tagarela, perde-se no mato, ver pessoas que depois somem. Lembrou-se do rapaz que estivera lá. Abriu a porta do carro e saiu correndo em direção a Bela.

_Aqui preciso te perguntar uma coisa! –esperou ate que o ar entrasse em seus pulmões. Nunca foi uma boa corredora. –tinha um garoto no lago, eu não sei quem era não perguntei o nome. Mas ele me conhecia me chamou pelo meu nome. Ele era alto, bonito, loiro, e os olhos eram... Eram... Castanhos claros! Diz-me que ele estuda nessa escola, você certamente conhece todo mundo daqui.

Ficou olhando para ela, esperando por uma resposta. Bela parecia vasculhar no fundo no fundo, mas não encontrava nada pela sua expressão.

_Eu tenho certeza que não há nenhum garoto nesse colégio loiro, alto, e bonito de olhos castanhos. No inicio do ano passado teve um garoto assim. Mas seus olhos eram verdes... Você tem certeza que não era Daniel apesar dele ter olhos azuis?

_Não, não era ele. Ele chegou na hora que esse cara sumiu. Eu não sei... Podem ter sido coisas da minha cabeça.

Ela se virou para voltar para o carro quando viu o policial que a interrogou vindo em direção a elas. Como se sentisse cheiro de segredo. Seus pais a esperavam no carro, quando entrou seu pai dera partida e seguiram para casa. Assim que chegou nem esperou eles começarem a dar sermão. Aquilo não era hora nem momento. Foi correndo pro seu quarto. Trocou de roupa e se deitou. Não demorou um segundo e já havia pegado no sono. Sonhou com tudo que aconteceu hoje. E principalmente o garoto lindo de olhos de ouro. Com Daniel sendo gentil e ao mesmo tempo insensível. Ele parecia estar com mais medo que ela. Engraçado porque os policiais não foram atrás deles. Ao invés ficaram esperando um milagre e eles aparecerem. E quem fora o aluno que morreu no lago. Vai ver e muito fundo, não sabia nadar. Era quase parecido com ela, só que Analice nunca ia entrar ali por mais burra que fosse.

_Esta melhor agora?

Sentou-se rapidamente na cama, e lá estava ele. Sentando no pé da cama, olhando ela com seus olhos cor de ouro. Sorria, parecia mais tranquilo. Como ele entrou ali?

_Quem e você? –sentiu sua voz tremer. Não deixaria ele ir embora sem antes descobrir mais do que... Nada. Viu a porta fechada, e as janelas trancadas –como entrou aqui?

_Calma meu anjo. Não vou machucar você.

Ela já não sabia se gritava seus pais, ou se saia correndo. Sabia que ele a alcançaria ou não... Levantou e saiu correndo. Quando pegou na maçaneta ele já estava encostado na porta. Segurando seu rosto. Esperando que ela fica-se mais calma.

_Não quero assustar você. Estou aqui porque preciso de sua ajuda.

Aquilo era um sonho, isso ela ainda dormia. Olhou para a cama vazia e desarrumada, para sua pele seminua e exposta. Correu e entrou em baixo do coberto. Tampou a cabeça e começou a rezar. ‘’por favor, vai embora. Você esta na minha cabeça. Não e real. ’’ Ele puxou a coberta, e sentou ao lado dela. Pode pela primeira vez sentir muito medo. Ele deitou e os dois ficaram cara a cara. Tão perto que um centímetro a mais estaria os lábios grudados.

_Vou dizer uma única vez. Existem dois lados, o ruim e o bom. Ou você se comporta ou vou machucar todos que você ama. E por fim vou acabar com você...

Disse aquilo tão seguro de si. Ela começou a rir. Ainda não tinha voz para dizer nada. Apenas continuou a olhar para ele. Que estava com a cara fechada, mas mudou de ideia e também sorriu. Seu corpo era quente, suas pernas estavam se encostando. Estava arrepiada. Que estranho era aquele que a ameaçava e se deitava com ela?

_Qual seu nome?

Sua voz saiu tão fraca que ele nem deveria ter ouvido. Sua mão já estava no cabelo dele, matando o desejo de tocar naqueles fios dourados. Desceu sua mão para seu rosto que estava tão quente, mas sua pele era macia como de um bebe. Ele era lindo, queria... O estranho já estava em cima dela. Beijando-a como se o mundo fosse acabar. Ela não sabia o que fazer, nunca fizera aquilo antes. Suas mãos contornavam as curvas de sua perna. Ele parecia que ia devora-la. Ate que não estava mais ali, tocando-a. Deixando-a sem fôlego. Sentou e olhou ao redor para ter certeza que aquilo não foi um sonho. E mais uma vez não sabia seu nome. Tocou seus lábios se lembrando do beijo ‘’foi tão real... ’’ pensou. Queria que fosse, foi bom. Mas não sabia mais em que mundo estava. Tomou a decisão de que o tempo todo estivera dormindo, ai acordou e não tem ninguém ali. Voltou a dormir, e seus sonhos não foram mais pesadelos.

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