_Não vai para a sala? Tenho certeza que seu próximo
professor vai detestar vê-la chegando atrasada...
Era uma senhora que falava com ela. Então ninguém queria
perder as aulas? Ou não queriam ir pra detenção? Pegou sua mochila e foi para
próxima aula. Nem mesmo colocou os pés na sala e já fora mandada pra detenção.
Olhou pra Bela que estava com uma cara como se pedisse desculpas. Foi para o
pátio e ficou lá ate ver o pessoal da sua sala saindo com seus uniformes
trocados. Levantou-se e foi andando atrás dele sem saber o que viria a seguir.
A quadra era muito grande. Dava para imaginar um grande show de rock acontecendo
ali. Sentiu uma mão no seu ombro virando-a bruscamente. E em seguida um abraço,
apertado que a deixou sem fôlego. Pode sentir o cheiro dos bolinhos de mais
cedo. O cabelo dela era oleoso e grudou nos seus lábios.
_Me desculpa por não ter puxado e trazido comigo! Pensei que
já soubesse que assim que o sinal bate já devemos estar entrando nas salas.
Como eu havia falado aquela era à torrona, um segundo depois que você entra
depois dela não participa da sua aula. Espero que se acostume, pelo visto vou
ter que lhe dar aulas de sobrevivência nos seus primeiros dias de aula em um
colégio diferente...
Ouviu-se um apito muito forte e ensurdecedor. Um professor
muito alto e forte apareceu e todos ficaram calados. Ficaram todos uns ao lado
do outro. Analice foi puxada para entrar na fila. O tal professor passava por
cada um lentamente. Aquilo parecia mais um campo de exercito, que uma aula
pratica de esportes. Ninguém parecia respirar todos eretos de cabeças erguidas.
Analice não aguentou e começou a gargalhar. Reparou que Bela a olhou pelo canto
dos olhos com espanto, mas já percebeu que era tarde demais. O professor já
estava na sua frente, com uma prancheta na mão fazendo uma anotação tão rápida
e sem tirar os olhos dela, que ficou tão sem graça, queria cavar aquele gramado
e enfiar a cabeça.
_Então senhorita A-N-A-L-I-C-E. Qual o motivo de uma risada
tão absurda em uma hora totalmente inapropriada?
_Me desculpa... professor. Eu só estava rindo de uma piada
que... A Bela me contou!
_Então as duas acham que minha aula e um show de stand up?
Por favor, comediantes, me contem a piada?
As duas ficaram caladas. No fundo ela quis rir mais um
pouco, mas não iria deixar seu descontrole atrapalhar tudo. Ele não tirava os
olhos delas, era como se quisesse sugar de alguma delas que sua aula e tão
péssima e estúpida. Mas sabia que não sairia de nenhuma dessas bocas.
_Espero que aproveitem o dia frio para nadar bastante.
_Mas professor! –Bela foi a primeira a se manifestar. Sabia
que aquilo era um castigo. A água devia estar congelada, era inicio de inverno,
ninguém entra na piscina nessa época do ano. –você só pode estar brincando!
Aquela água vai matar a gente de frio, sou magra demais para ficar lá mais de
60 segundos.
_Querida, pensasse nisso antes de se tornar amiga de pessoas
que não sabem se comportar diante de ex-atletas famosos. Deviam se orgulhar de
ser o professor de vocês. Do que qualquer que passou numa prova e acha que sabe
tudo sobre esportes. Vão vestir seus maios e pra água. AGORA!
As duas saíram correndo para o vestiário se trocar. Analice
achou que levaria broca da sua atual não amiga, mas ao contrario foi recebida
com outro abraço apertado.
_Qual o seu problema de ficar me abraçando?
_Me desculpa se acho que você tem cara de que precisa de um
abraço...
_Quem aquele idiota pensa que e? Mandar-nos nadar com quase
0 graus negativo. Vou para outro lugar e você... Faz o que quiser só não me
dedure.
Saiu correndo olhando pra todos os lados, com medo de que alguém
com dor no ego a pegasse. Quando já estava fora de vista do pessoal no campo,
começou a caminhar lentamente. Realmente estava bastante frio. Fechou mais sua
blusa e saiu andando ate entrar em uma mata fechada sem saber onde toda aquela
historia de aventura daria. Não demorou nem 20 minutos e ela chegou à beira de
um lago enorme. Deveria ser ate maior que sua escola nova. Não dava para ver
onde acabava, era lindo cintilava com o sol nada quente daquela tarde. Nesse
momento ela realmente queria entrar para nadar. Mas não sabia nadar, odiava
piscina e qualquer coisa que acumulava água. Recostou-se em uma arvore e ficou
observando a paisagem anestesiada com tudo que acontecerá desde que entrou no
estacionamento. Podia sentir o sol tentando queimar a sua pele, estava tão
fraco. Estava quase dormindo quando ouviu alguém lhe chamar...
_Analice...
Levantou-se num sobressalto. Olhou loucamente ao redor, mas
não via ninguém. Quem poderia estar ali? Sentia que alguém a observava. Sentiu
medo, mas nada era pior do que estar sozinha com um homem.
_Quem esta ai? –gritou tão alto, mas não ouve resposta
alguma. Tentou outra vez –por favor não
vou contar que estamos matando aula...
_Se prometer que não
vai gritar eu apareço...
_eu prometo.
Sentiu urgência em sua voz de saber quem estava presente
ali. Sabia que não era nenhuma brincadeira. E principalmente que não era uma
garota. Um rapaz muito bonito saiu de trás das arvores, e ficou parado ao
aparecer totalmente esperando a reação dela. Ela não sabia por que iria gritar
ao vê-lo. Mas sentiu-se mais tranquila ao saber que ele não parecia nada
perigoso. Os dois ficaram se olhando por um bom tempo, ate que ele se sentou e
ficou olhando para o lago. Ela não sabia se sentava, se ia embora, ou se
perguntava alguma coisa. Demorou muito ate voltar para o lugar onde quase havia
pegado no sono. O silencio era perturbador quem era aquele garoto que estava
ali na sua presença, que ate agora não dissera nada? Que não tentara nada? Ele
parecia muito estranho. Apesar de bonito, usava uma roupa diferente ate parecia
um pouco com as roupas do seu pai. Seu cabelo estava molhado, mas as roupas
não. Seus olhos eram um castanho tão claro que parecia ouro. Ela sentiu vontade
de passar as mãos pelos seus cabelos loiros que a chamavam para um passeio.
Voltou a olhar para o lago e não tinha reparado que havia um pouco a frente uma
pequena ilhazinha que não devia caber duas pessoas. Foi o que deixou a vista
mais bela. Sentiu-se tão tranquila, segura. Mas ai se lembrou da sua estranha
companhia.
_Qual e o seu nom...
Ele não estava mais lá. Havia ido embora sem nem se
despedir. Ela começou a ouvir passos vindos da mata. Ai sim sentiu medo, os
passos ficaram mais altos e por entre as arvores apareceu Daniel. Ela o
observou e já soube logo quem era. Ele era realmente muito lindo. Tinha ombros
largos, era alto. Parecia malhar o dia inteiro. Olhos também azuis, não como os
de Analice, mas lindos. Seu cabelo era um dourado lindo. Seu sorriso a derreteu
toda. E pior ele chegou perto dela e tocou em seu rosto, num gesto de carinho
que a fez estremecer.
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