Analice não era uma garota que gostava de fazer amigos no
seu primeiro dia de aula. Ela nunca fora muito sociável. Mudar repetidamente de
cidade e colégio não foi um dos melhores acontecimentos do seu ano. Com 18
anos, filha única, dona de uma beleza invejável que não compreendia. Possuía cabelos
longos e negros, seus olhos da cor do céu davam na cara de quem era filha. Seu
corpo era normal, nem muito magra nem muito gorda. Odiava o fato de ter pernas
grossas e longas. Queria ser baixinha como as adolescentes da televisão. Quando
estava no estacionamento do seu novo colégio percebeu que parecia ate então
normal.
_Bom dia alunos e
alunas. Espero que tenham aproveitado bastante suas férias de verão. Porque
temos muitos sapos para dissecar em nossas próximas aulas!
Mr. Rob era pra ser um professor divertido, adorava o que
fazia. Dar aulas de Biologia corria na sua veia, já que seus pais ambos também
foram professores. Os alunos acostumados com ele o achavam maluco, já que para
Rob a vida era só natureza e animais. Analice chegou a sua nova sala de aula no
momento em que ele precisava de um voluntario.
_Vejam meus anjinhos uma aluna nova. Deixe-me ver –deu uma
rápida olhada em uma folha sobre a mesa e olhou para ela, que ainda estava
parada na porta –Analice Helena , seja bem vinda e espero que sobreviva a essa
turma.
_Obrigada...
Não olhou no rosto de ninguém. Sempre fora assim, era uma
forma de mesmo entre pessoas continuar vivendo em sua bolha invisível.
Sentou-se na ultima carteira ao lado das largas janelas que possuíam uma vista
maravilhosa do campus e mais alem o campo de futebol. Assim que sentou colocou
seus fones de ouvido, e ficou a aula inteira observando aquelas pessoas
estranhas, rirem do aluno engraçadinho que foi ate a frente ajudar o professor
a remover os olhos de um sapo que fedia tanto. ‘’coitado do animal, não tem
culpa nenhuma de ser um ótimo objeto para estudos’’ pensou se lembrando da sua
mãe lhe desejando boas aulas que ironia a dela. Pensar que em seu primeiro dia
de aula tudo fosse perfeito sem nem conhecer ninguém. Na hora do intervalo
sentou numa mesa afastada onde ninguém ainda havia sentado. Não levou nenhum
lanche, seu estomago estava roncando, e não iria de forma alguma entrar em uma
fila para comer uma comida que não sabia de onde vinha. Uma garota com óculos
enormes sentou-se em sua frente com uma bandeja com bolinhos, torta e uma
caixinha de suco natural de manga. Sorriu para ela e começou a devorar sua
refeição com o pouco de tempo que tinha para não morrer antes de chegar em
casa. Ela tinha uma aparência horrível, magra demais, olhos negros e cabelos
loiros na altura dos ombros.
_Porque seus pais lhe deram esse nome?
Analice não acreditou que aquela garota estava falando com
você. Queria se levantar e sair dali antes que esse vírus de falar com ela se espalhassem.
Tirou os fones pensou duas, três, quatro vezes se deveria realmente responder
aquela pergunta. Mas olhou nos olhos daquela garota, e viu que não poderia ser
tão mal educada com alguém tão judiada.
_Eu não sei. Acho que não tiveram outra ideia melhor.
_Achei seu nome bonito... Diferente para falar a verdade.
Não sei se você reparou, mas sou da sua sala, e tipo a conversa da frente foi
toda sobre você. O Daniel e o menino mais gato desse mundo! E ele te achou
gata, você acredita? Pois e, isso porque a amada malvada dele não e da nossa
sala, o que e sorte sua. A desculpa, meu nome e Isabella. Não e muito bonito
mais combina comigo não acha? –e começou a rir de sua própria piada sem graça.
Pelo vista ela sabia que assustava todos. ‘’Ai meu Deus ela esta puxando
assunto comigo, tenho que parar ela antes que acostume a ouvir minha voz’’.
_Acho melhor eu deixa-la comer sozinha. Tenho muito que
fazer na biblioteca...
_A que isso Ana, não me deixe aqui sozinha. Sente-se ai,
deixe-me dividir meu lanche com você. Não quero que morra de fome nas próximas
aulas. Ainda mais que temos que correr aquela quadra enorme hoje ate cairmos no
chão de câimbra...
Aquilo não estava acontecendo. Ana? De onde ela tirou esse
apelido não carinhoso? Nem se quer eram amigas. Um minúsculo resumo de seu nome
mal feito. Sentou-se devagar e recusou a metade daquele bolinho que mais
parecia um pão integral se despedaçando. Bela, como gostava de ser chamada.
Mesmo não tendo nada de bela, começou a falar e não parou mais. Contou sobre
quem são os professores legais e os que pegam no pé. Falou sobre o tal Daniel
que ela havia mencionado no início. Parece que ele e realmente muito atraente.
Analice nem se importou muito já que nem se quer havia beijado na vida. Não
iria perder seu tempo se apaixonando por um idiota. Bela comeu tudo e ainda
falava e falava, parecia que não ia acabar nunca. Ate que o sinal bateu e todos
se levantaram e deixaram ela sozinha no refeitório...
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