No dia seguinte, pensou que tudo daria certo. O que tinha
que dar errado foi ontem. Tomou seu café depressa e foi para o colégio. Entrou
e viu todos nos seus mundinhos perdidos em seus pensamentos, suas musicas e declarações
de amor. Ninguém ali se importava com aquela esquisita que chegou ontem, não
sabiam seu nome. Uma garota veio em sua direção com uma cara de espanto.
Batendo muito forte seu sapato de salto alto caro.
_Analice certo? Não acredito que você entrou lá com Daniel.
Nicole já esta sabendo?
_Não sei do que você esta falando. Nem sei quem e essa
Nicole.
_Como não, vocês foram para onde ninguém pode ir. Lugar perfeito
para um encontro proibido. Espero que tome muito cuidado não sabe com quem esta
mexendo. Daniel não e pro seu bico.
E saiu andando e rebolando. Toda estranha. O que foi aquilo?
Começou a pensar no dia anterior, mas logo afastou de seus pensamentos. Dia
novo, pessoas novas, historias novas. Continuou caminhando pelo corredor ate
chegar ao seu novo armário. E pra sua decepção tinha um bilhetinho nada
agradável ‘’rouba namorados!’’. Que maluquice. Ele só foi lá buscar ela nada
aconteceu. Mas claro ninguém estava lá para ver. Pegou os livros da sua
primeira aula, e foi caminhando em direção à sala. Não queria ir para detenção
novamente, mesmo nem tendo ido. Quando viu o rapaz do lago encostado olhando
para ela e rindo. Analice largou os livros no chão, começou a correr e quando
chegou só via um garoto estranho olhando pra ela assustado.
_Cadê ele?
_Ele quem?
_O menino que estava aqui agora mesmo, encostado do seu
lado. Ele era loiro e...
_Você e maluca. Sai daqui.
Todo mundo olhava para ela. Ele saiu da sua frente e ela
ficou parada no tempo respirando profundamente. Não podia ser verdade. Isso só
pode ser uma pegadinha. Ela o vira novamente, porque ele sempre some? Ate
parece um fantasma...
_Seus livros. –agora era Bela que estava olhando para ela
chocada. Entregou-a os livros que pegou no chão. E ficou encarando sua amiga
ainda confusa. –você esta falando daquele garoto do bosque? Já lhe disse
ninguém aqui tem a aparência que você me disse.
Analice começou a chorar. Já não aguentava mais aquilo. Ou
era ou não loucura. Tinha que decidir.
_Eu juro que era ele. Ele estava exatamente aqui –apontou
para o armário, e ficou lembrando dele rindo para ela quando estava correndo
–eu estou com medo. Não e loucura, você acredita em mim certo?
_Acredito. Mas esse pessoal aqui não. Então guarde esse
segredo entre nós. Antes que alguém queira internar você. Vamos ao banheiro
secar esse rosto, depois ir para sala. Porque temos um livro gigante para ler
sobre historia alemã.
Ela passou todos os horários sem dizer uma palavra. No
refeitório aceitou o bolinho de chocolate de sua recente amiga. Comia sem
vontade juntando os fatos da noite passada. Se ninguém podia ver ele, então
porque ela? Sem saber com que motivo pegou o seu pingente e olhou a frase
gravada ali. Só quem e puro. Ela não era pura, não estava vendo mortos ou
sabe-se lá se ele era uma alma. O dia demorou a passar, quando finalmente
chegou a hora de ir embora pegou uma autorização para ficar na biblioteca. Não
sabia o que ia ler ou pesquisar queria apenas ficar ali. Estava bastante frio
não havia ninguém lá, alem de uma senhora que fica na porta que nem a percebeu
entrando. Sentou-se numa mesa vazia e abaixou a cabeça. Começou a pensar em
pizza, filmes que ainda não viu. Ate que alguém a chuta. Respirou
profundamente, e levantou a cabeça devagar ate reconhecer a roupa antiga e os
olhos cor de ouro. Ele não estava rindo, só a observava. Queria dizer alguma
coisa, mas o olhar dela impedia que ele fizesse ou falasse qualquer coisa.
Cruzou os braços e relaxou na cadeira. Olhou em volta certificando de que não
havia mais ninguém ali.
_Lendo algum livro?
_Só estava
procurando um lugar para pensar na minha loucura.
_Você não e louca Ana.
_Jura? Então me
diz umas coisas. Quem e você? Onde mora? Como entrou no meu quarto ontem à
noite? E como você consegue sumir assim dessa forma?
_Simples. Não sou um
humano. Na verdade sou no momento quase humano.
Ela revirou os olhos, e abaixou a cabeça que agora estava
doendo tanto que nem percebeu quando a dor começou. Ele não era humano, era o
que então. Um vampiro? Um Jacob Black? Mexeu o pescoço sentindo mais dor ainda.
Pensou que estivesse dormindo direito. Ou será que foi o jeito que ficou as
aulas todas com a cabeça abaixada, enquanto cochilava.
_E feio deixar as
pessoas falando sozinhas.
_Não ligo pro que
acha a meu respeito. Será que pode pelo menos me dizer seu nome?
_Não sei se você esta
merecendo, ultimamente tem se comportado muito mal. Mas tudo bem. Meu nome e
Zac. A seu dispor...
Ouviu o nome dele e se arrepio. Agora podiam ter uma
conversa tranquila. Claro se ele pelo menos ainda estivesse na biblioteca. A
senhora da porta estava na frente dela, com os óculos levantados.
_Tudo bem com você garota?
_Claro que estou. Só um pouco dolorida. Agora me diz o
garoto que estava aqui saiu correndo não foi?
Deu uma risada da sua própria não piada. Que estranho à
velhinha agora parecia apavorada. Não conseguia mais arregalar os olhos.
_O que foi?
_Você estava falando sozinha, pude ouvi-la conversar.
_Estava conversando com um amigo meu o...
_Não tinha mais ninguém aqui alem de nos duas. Quando os
alunos que ficam ate tarde chegam tranco às portas. E aqui estão as chaves
–tirou um bolo de chaves do bolso –você e a única que esta aqui alem de mim...
Analice levantou e sabia que não podia aceitar aquela
indagação. Ela nem devia ouvir direito. Foi ate uma mesa que fica nos fundo e
sentou-se em frente ao computador das câmeras. Voltou à fita ate a hora que
chegou. E via a senhora fechar a porta e ela continuar deitada. Ate que ela se
vê levantando a cabeça e começando a conversar com ‘ninguém’. Voltou à mesa que
estava, pegou sua mochila e jogou o crachá na mesa. Saiu correndo já estava
chorando. Aquilo era loucura como as câmeras não pegaram Zac? Ai se lembrou
dele dizendo que era um quase humano. Era mas não era. Já não sabia de mais
nada. Desceu as escadas e foi ate o estacionamento. Teria que pegar um ônibus.
Já eram 18h39min, onde as horas foram parar? Não ficara mais de quatro horas lá
dentro. Deu um tapa na sua cabeça, para parar de chorar e parar de surtar.
Pegou o celular para ligar para o pai. Quando ele finalmente atendeu.
_Pai eu... –a ligação caiu.
_Deixe que eu te leve
para casa.
_Você não existe!
Sai da minha vida!
Começou a correr, mas ele já estava na sua frente. Segurando
ela com tanta força que parecia querer quebra-la.
_Eu te disse para
colaborar. Não tenho culpa se não sabe conversar baixo. Aquela velha ouve
melhor do que você. Agora se não me escutar...
Ela caiu no chão depois que levou um tapa na cara, tão forte
que a fez ver estrelinhas. Sentou-se no gramado do estacionamento. Passou a mão
no rosto onde estava a marca da mão dele. Sentiu que seu queixo tinha saído do
lugar. Levantou-se e ficou olhando para ele, que não expressava nada. Era um
covarde que batia em mulher. Nem ao menos a conhecia. Estava chorando na frente
dele, que começou a se aproximar, mas ela deu passos para trás se afastando.
Queria dizer alguma coisa, mas estava tão magoada com aquilo. Nunca tinha
apanhado dos seus pais, não seria ele a fazer. Percebeu que não poderia saber
mais nada dele. Tinha que ter medo, e não ficar curiosa sobre alguém tão ruim.
_Eu preciso que você
me salve... Você e a única que pode me ajudar agora. Quero que saiba que
estarei te vigiando em todos os lugares que for. Não sou seu amigo, vou
controlar você ate conseguir o que quero.
_O que você quer de mim? –gaguejou entre as lagrimas.
_Que me salve...
Ele sumiu na frente dela como pó. Ela ajoelhou no chão e
começou a chorar. Salvar de que? Se aquele tapa foi real, ele certamente
poderia mata-la. Não sabia para onde ir. O que tudo aquilo significava? Não
fazia nem uma semana e sua vida já era um inferno. Não queria continuar
estudando ali, morando nessa cidade. Queria fugir de Zac, de todo mundo. Um
forte farol de carro vinha em sua direção. Reconhecia o barulho do carro do seu
pai. Ele parou um pouco na sua frente e desceu correndo. Ela olhou para cima e
viu que chovia, e ela nem havia reparado.
_O que você esta fazendo nessa chuva minha filha?
_Eu quero ir embora...
Ele a ajudou a se levantar. Nem tinha visto a
marca em seu rosto, nem que sua filha chorava. Seguia pela estrada. Estava
bastante concentrado. O caminho nesse tempo era bastante perigoso. Analice já
estava dormindo, recostada no vidro. Não ouvia nem chuva, nem carro. Só
lembrava-se daquele belo rapaz que de um dia pro outro se tornara um monstro
para ela. Não percebeu que já tinha chegado em casa. E seu pai a carregara para
dentro e deitado-a em sua cama mesmo molhada de chuva. Quando sua mãe chegasse
daria um banho nela. Não sonhou, não teve pesadelo nem nada. Apenas estava onde
sempre esteve na sua bolha. La ela não podia pensar em nada estava segura de
tudo e todos. Estava com fome, mas não queria abrir os olhos e dar explicações
ao seu pai que devia estar preocupa. Deu uma risada, com 18 anos nas costas
sendo colocada na cama. Lembrou-se de quando era pequena. E brincava com seu
pai de aviãozinho nas costas dele. Fora tão feliz quando criança. Porque quando
chegou aos 15 tudo começou a dar errado na sua vida? Tinha que fazer uma
escolha para ser alguém na vida. Mas nunca conseguira para pra pensar, já que
estava constantemente mudando de cidade. Estava encharcada e morrendo de frio.
Levantou e foi tomar um banho. Lavou os cabelos. Lavou a alma. Ao sair olhou no
espelho e ainda podia ver o vermelhidão no seu rosto esquerdo. Estremeceu. Ele
poderia estar no quarto dela, ou com seu pai. Poderia ter visto ela tomando
banho. Ele poderia estar em qualquer lugar, tinha que ser mais prestativa. E
não dizer nada que o fizesse machuca-la.
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