quinta-feira, 18 de julho de 2013

Parte 4


No dia seguinte, pensou que tudo daria certo. O que tinha que dar errado foi ontem. Tomou seu café depressa e foi para o colégio. Entrou e viu todos nos seus mundinhos perdidos em seus pensamentos, suas musicas e declarações de amor. Ninguém ali se importava com aquela esquisita que chegou ontem, não sabiam seu nome. Uma garota veio em sua direção com uma cara de espanto. Batendo muito forte seu sapato de salto alto caro.

_Analice certo? Não acredito que você entrou lá com Daniel. Nicole já esta sabendo?

_Não sei do que você esta falando. Nem sei quem e essa Nicole.

_Como não, vocês foram para onde ninguém pode ir. Lugar perfeito para um encontro proibido. Espero que tome muito cuidado não sabe com quem esta mexendo. Daniel não e pro seu bico.

E saiu andando e rebolando. Toda estranha. O que foi aquilo? Começou a pensar no dia anterior, mas logo afastou de seus pensamentos. Dia novo, pessoas novas, historias novas. Continuou caminhando pelo corredor ate chegar ao seu novo armário. E pra sua decepção tinha um bilhetinho nada agradável ‘’rouba namorados!’’. Que maluquice. Ele só foi lá buscar ela nada aconteceu. Mas claro ninguém estava lá para ver. Pegou os livros da sua primeira aula, e foi caminhando em direção à sala. Não queria ir para detenção novamente, mesmo nem tendo ido. Quando viu o rapaz do lago encostado olhando para ela e rindo. Analice largou os livros no chão, começou a correr e quando chegou só via um garoto estranho olhando pra ela assustado.

_Cadê ele?

_Ele quem?

_O menino que estava aqui agora mesmo, encostado do seu lado. Ele era loiro e...

_Você e maluca. Sai daqui.

Todo mundo olhava para ela. Ele saiu da sua frente e ela ficou parada no tempo respirando profundamente. Não podia ser verdade. Isso só pode ser uma pegadinha. Ela o vira novamente, porque ele sempre some? Ate parece um fantasma...

_Seus livros. –agora era Bela que estava olhando para ela chocada. Entregou-a os livros que pegou no chão. E ficou encarando sua amiga ainda confusa. –você esta falando daquele garoto do bosque? Já lhe disse ninguém aqui tem a aparência que você me disse.

Analice começou a chorar. Já não aguentava mais aquilo. Ou era ou não loucura. Tinha que decidir.

_Eu juro que era ele. Ele estava exatamente aqui –apontou para o armário, e ficou lembrando dele rindo para ela quando estava correndo –eu estou com medo. Não e loucura, você acredita em mim certo?

_Acredito. Mas esse pessoal aqui não. Então guarde esse segredo entre nós. Antes que alguém queira internar você. Vamos ao banheiro secar esse rosto, depois ir para sala. Porque temos um livro gigante para ler sobre historia alemã.

Ela passou todos os horários sem dizer uma palavra. No refeitório aceitou o bolinho de chocolate de sua recente amiga. Comia sem vontade juntando os fatos da noite passada. Se ninguém podia ver ele, então porque ela? Sem saber com que motivo pegou o seu pingente e olhou a frase gravada ali. Só quem e puro. Ela não era pura, não estava vendo mortos ou sabe-se lá se ele era uma alma. O dia demorou a passar, quando finalmente chegou a hora de ir embora pegou uma autorização para ficar na biblioteca. Não sabia o que ia ler ou pesquisar queria apenas ficar ali. Estava bastante frio não havia ninguém lá, alem de uma senhora que fica na porta que nem a percebeu entrando. Sentou-se numa mesa vazia e abaixou a cabeça. Começou a pensar em pizza, filmes que ainda não viu. Ate que alguém a chuta. Respirou profundamente, e levantou a cabeça devagar ate reconhecer a roupa antiga e os olhos cor de ouro. Ele não estava rindo, só a observava. Queria dizer alguma coisa, mas o olhar dela impedia que ele fizesse ou falasse qualquer coisa. Cruzou os braços e relaxou na cadeira. Olhou em volta certificando de que não havia mais ninguém ali.

_Lendo algum livro?

_Só estava procurando um lugar para pensar na minha loucura.

_Você não e louca Ana.

_Jura? Então me diz umas coisas. Quem e você? Onde mora? Como entrou no meu quarto ontem à noite? E como você consegue sumir assim dessa forma?

_Simples. Não sou um humano. Na verdade sou no momento quase humano.

Ela revirou os olhos, e abaixou a cabeça que agora estava doendo tanto que nem percebeu quando a dor começou. Ele não era humano, era o que então. Um vampiro? Um Jacob Black? Mexeu o pescoço sentindo mais dor ainda. Pensou que estivesse dormindo direito. Ou será que foi o jeito que ficou as aulas todas com a cabeça abaixada, enquanto cochilava.

_E feio deixar as pessoas falando sozinhas.

_Não ligo pro que acha a meu respeito. Será que pode pelo menos me dizer seu nome?

_Não sei se você esta merecendo, ultimamente tem se comportado muito mal. Mas tudo bem. Meu nome e Zac. A seu dispor...

Ouviu o nome dele e se arrepio. Agora podiam ter uma conversa tranquila. Claro se ele pelo menos ainda estivesse na biblioteca. A senhora da porta estava na frente dela, com os óculos levantados.

_Tudo bem com você garota?

_Claro que estou. Só um pouco dolorida. Agora me diz o garoto que estava aqui saiu correndo não foi?

Deu uma risada da sua própria não piada. Que estranho à velhinha agora parecia apavorada. Não conseguia mais arregalar os olhos.

_O que foi?

_Você estava falando sozinha, pude ouvi-la conversar.

_Estava conversando com um amigo meu o...

_Não tinha mais ninguém aqui alem de nos duas. Quando os alunos que ficam ate tarde chegam tranco às portas. E aqui estão as chaves –tirou um bolo de chaves do bolso –você e a única que esta aqui alem de mim...

Analice levantou e sabia que não podia aceitar aquela indagação. Ela nem devia ouvir direito. Foi ate uma mesa que fica nos fundo e sentou-se em frente ao computador das câmeras. Voltou à fita ate a hora que chegou. E via a senhora fechar a porta e ela continuar deitada. Ate que ela se vê levantando a cabeça e começando a conversar com ‘ninguém’. Voltou à mesa que estava, pegou sua mochila e jogou o crachá na mesa. Saiu correndo já estava chorando. Aquilo era loucura como as câmeras não pegaram Zac? Ai se lembrou dele dizendo que era um quase humano. Era mas não era. Já não sabia de mais nada. Desceu as escadas e foi ate o estacionamento. Teria que pegar um ônibus. Já eram 18h39min, onde as horas foram parar? Não ficara mais de quatro horas lá dentro. Deu um tapa na sua cabeça, para parar de chorar e parar de surtar. Pegou o celular para ligar para o pai. Quando ele finalmente atendeu.

_Pai eu... –a ligação caiu.

_Deixe que eu te leve para casa.

_Você não existe! Sai da minha vida!

Começou a correr, mas ele já estava na sua frente. Segurando ela com tanta força que parecia querer quebra-la.

_Eu te disse para colaborar. Não tenho culpa se não sabe conversar baixo. Aquela velha ouve melhor do que você. Agora se não me escutar...

Ela caiu no chão depois que levou um tapa na cara, tão forte que a fez ver estrelinhas. Sentou-se no gramado do estacionamento. Passou a mão no rosto onde estava a marca da mão dele. Sentiu que seu queixo tinha saído do lugar. Levantou-se e ficou olhando para ele, que não expressava nada. Era um covarde que batia em mulher. Nem ao menos a conhecia. Estava chorando na frente dele, que começou a se aproximar, mas ela deu passos para trás se afastando. Queria dizer alguma coisa, mas estava tão magoada com aquilo. Nunca tinha apanhado dos seus pais, não seria ele a fazer. Percebeu que não poderia saber mais nada dele. Tinha que ter medo, e não ficar curiosa sobre alguém tão ruim.

_Eu preciso que você me salve... Você e a única que pode me ajudar agora. Quero que saiba que estarei te vigiando em todos os lugares que for. Não sou seu amigo, vou controlar você ate conseguir o que quero.

_O que você quer de mim? –gaguejou entre as lagrimas.

_Que me salve...

Ele sumiu na frente dela como pó. Ela ajoelhou no chão e começou a chorar. Salvar de que? Se aquele tapa foi real, ele certamente poderia mata-la. Não sabia para onde ir. O que tudo aquilo significava? Não fazia nem uma semana e sua vida já era um inferno. Não queria continuar estudando ali, morando nessa cidade. Queria fugir de Zac, de todo mundo. Um forte farol de carro vinha em sua direção. Reconhecia o barulho do carro do seu pai. Ele parou um pouco na sua frente e desceu correndo. Ela olhou para cima e viu que chovia, e ela nem havia reparado.

_O que você esta fazendo nessa chuva minha filha?

_Eu quero ir embora...
Ele a ajudou a se levantar. Nem tinha visto a marca em seu rosto, nem que sua filha chorava. Seguia pela estrada. Estava bastante concentrado. O caminho nesse tempo era bastante perigoso. Analice já estava dormindo, recostada no vidro. Não ouvia nem chuva, nem carro. Só lembrava-se daquele belo rapaz que de um dia pro outro se tornara um monstro para ela. Não percebeu que já tinha chegado em casa. E seu pai a carregara para dentro e deitado-a em sua cama mesmo molhada de chuva. Quando sua mãe chegasse daria um banho nela. Não sonhou, não teve pesadelo nem nada. Apenas estava onde sempre esteve na sua bolha. La ela não podia pensar em nada estava segura de tudo e todos. Estava com fome, mas não queria abrir os olhos e dar explicações ao seu pai que devia estar preocupa. Deu uma risada, com 18 anos nas costas sendo colocada na cama. Lembrou-se de quando era pequena. E brincava com seu pai de aviãozinho nas costas dele. Fora tão feliz quando criança. Porque quando chegou aos 15 tudo começou a dar errado na sua vida? Tinha que fazer uma escolha para ser alguém na vida. Mas nunca conseguira para pra pensar, já que estava constantemente mudando de cidade. Estava encharcada e morrendo de frio. Levantou e foi tomar um banho. Lavou os cabelos. Lavou a alma. Ao sair olhou no espelho e ainda podia ver o vermelhidão no seu rosto esquerdo. Estremeceu. Ele poderia estar no quarto dela, ou com seu pai. Poderia ter visto ela tomando banho. Ele poderia estar em qualquer lugar, tinha que ser mais prestativa. E não dizer nada que o fizesse machuca-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário