Quando abriu os olhos novamente, viu que ele estava sentado
na ilhazinha tão longe que quase o chamou para voltar. Olhava para ela e a via
dormir pensava como a faria ser útil dessa vez. Estava tão perdido nos seus
pensamentos que nem percebeu que alguém se aproximava por aquela parte. Ana
pensou que ele estivesse ouvindo também, tratou de se esconder atrás de uma
arvore. O policial apareceu com a arma apontada para onde estava Zac. Ela
correu e entrou na frente dele.
_Não atira!?
_Me diz para que exatamente estou apontando?
Ele segurou o braço dela apertando.
_Me largo, você e louco!
_Não sou não. Você também pode ver ele não pode? Pois fique
sabendo que você vai morrer! Como ele fez com minha filha!
_Eu não sei do que você esta falando. Não sei de quem esta
falando...
_Ele esta lá não esta? Fala pra mim para eu poder manda-lo
de vez para onde não deveria ter saído!
_Você e louco... Você...
Zac estava agora ao lado dele. Olhando para ela,
repreendendo-a para que ficasse calada.
_Não precisa dizer
nada, ele vai embora.
Mas ela não iria ficar calada com todas aquelas acusações.
_Quem era sua filha?
_Cala a boca!
_Minha filha Sarah era linda. Ate esse fantasma assombrar a
escola e entrar na vida dela. Todo mundo queria interna-la, mas eu sabia que ia
passar. Ela todas as noites tinha pesadelos com ele. Conversava com ele mandava-o
embora. Ate que eu nunca mais a vi. E quando me disseram que suas roupas
estavam aqui. Soube logo que ele a havia matado. Não sabia nadar, o que ela
faria aqui sozinha?
_Eu não sei...
_Claro que sabe! Ele quer alguma coisa, e você vai me
contar!
_Se você abrir a boca,
eu vou matar os dois agora!
_Falar e fácil, não acha? Eu não vejo nada.
Ana não sabia com quem falar quem responder. Eles estavam
deixando-a louca. Não queria estar ali. Não queria ter conhecido Zac. Não
queria que esse policial mesquinho a culpasse pela morte de sua filha.
_Ele esta aqui, não? Mandando você calar a boca, ou vai
matar você? Eu o obedeceria, não vai querer arriscar a sua própria vida. Vamos
embora, seus pais estão preocupados.
_Não vou a lugar nenhum com você! Fico onde eu quiser.
_Hoje e domingo, ou você vem ou será presa por invadir
propriedade particular. Anda logo!
_Você vai ficar! Não
vá com ele. Entre na água!
Só havia uma voz que ela poderia ouvir. Mas não sabia se
poderia confiar nela. Zac... Quem e você? O que você quer tanto de uma pessoa
que não tem nada a lhe oferecer. Foi andando de costas enquanto o policial dava
passos para chegar mais perto dela, e força-la a ir com ele. Estava com tanto
medo, tudo culpa de seus pais que não a deixaram ficar na casa de sua tia
Alexias. Olhou para o lago e mergulhou. Não sabia nadar, odiava tanto aquilo
que a fazia se lembrar de quando se afogou e ficou internada por muito tempo
quando era criança. Sabia que não ia durar muito ali. Mas quem sabe aquele
grosso não ia embora rápido antes que ela congelasse.
_Você que escolheu...
Ela já devia ter bebido metade da água. Quando
alguma coisa a puxou para o fundo. Tentava se soltar, mas não conseguia. Não
via mais nada com aquelas águas escuras. Não poderia segurar mais o ar que já
não tinha. Mexia tanto os braços que começaram a doer. Estava tão desesperada
que não tinha mais forças para fugir, fechou os olhos e não se lembrou de mais
nada...
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