Zac não os ouvia, estava deitado em sua cama segurando a
foto em que estava com seus pais, estavam felizes. Chorava e tentava entender o
que fizera de errado? Ouviu a sirene de uma ambulância parar bem próximo.
Deviam estar nesse momento levando sua mãe embora. Porque as coisas aconteceram
daquela maneira. Nunca devia ter saído de casa com a cabeça a mil. Não devia
ter feito aquilo... Esta pagando pelos seus erros ate hoje. Olhou para o quarto
que estava do jeito como se lembrava de ter deixado. Gostava de passar parte do
seu tempo ali, estudando, treinando para ser um bom biólogo. Tudo dera errado,
aquela ligação nunca deveria ter acontecido. Culpava-se pelas garotas que todos
os anos ele atormentava, as obrigava a entrar naquele lago. No inicio foi pior.
Quase matou Caroline. Mas agora era
diferente. Se Ana não fizer nada por ele, nunca mais terá uma chance de rever
seu pai. Estava perdendo todos que amava. E junto delas iam suas esperanças.
Ele já tentara tantas vezes se matar. Mas como faria isso? Já estava
praticamente morto. Não queria continuar a viver daquela forma. Ferindo e
magoando as pessoas. Como sua vida era injusta. Lembrou-se da primeira vez que
viu Ana. Ela estava linda com o nascer do sol refletindo seus olhos azuis. Como
quis nadar neles pela primeira vez que chegou perto. Quando a beijou e depois
foi embora. Ela era a mais linda que ele já viu. E dependia dela para continuar
a viver. Deixou a pobre coitada com medo de suas ameaças. Tinha que mudar sua
maneira de trata-la. Mas de forma alguma deveria se envolver. Lembrou-se de
quando fez amor com Sarah, ela estava apaixonada, mas ainda vivia tendo
pesadelos e com medo dele. Ela foi seu único erro, não mais faria a mesma
burrada. Tinha que de alguma forma controlar seus instintos. E a única que
podia vê-lo parecia ser tão ingênua, tão pura...
Passou a ficar na companhia de seu pai. Mesmo sem ele poder
vê-lo. Quando estava tomando café também se sentava a mesa. Quando ia dormir
dava boa noite e ia para seu quarto. E foi assim sua semana. Zac não podia
dormir, tentava, mas nada acontecia, queria sonhar, mas não era possível. No
sábado quando levantou viu que tinha um travesseiro seu jogado ao canto do
guarda-roupa. Parecia escondido. Pegou ele, e era seu favorito. Chegou perto do
nariz e aspirou o perfume que estava impregnado nele. Mais que isso estava
borrado de batom vermelho. Ana.
Sentiu novamente o cheiro, como ela foi aparecer ali? Será que havia se deitado
em sua cama? Olhou ao redor procurando algum erro. Sua mãe deve ter trocado de
travesseiro, mas como não tinha motivos para lava-lo, o abandonou ali. Tacou-o
no chão e foi embora, foi atrás dela, com muita raiva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário