Lucas acordou e Analice não estava do seu lado. Ela estava
de pé, com um sorriso no rosto. E sem a tipóia no braço.
_O que aconteceu com o gesso?
_Pedi pro Pedro tirar, e colocar uma faixa.
Ela levantou o braço feliz de ter convencido ele. Assim
seria mais fácil de ficar em casa sem fazer nada. Infelizmente estava de
atestado.
_Mas seu braço esta quebrado. E melhor você recolocar o
gesso...
_Claro que não. E melhor assim. Vamos embora? Estou morrendo
de fome.
Ela relutante aceitou só um abraço do Dr. Pedro. Agradeceu
muito pelas flores que lavava no braço bom. Perguntou se quando machucasse
outra vez ganharia mais flores. Os dois riram. Lucas nem percebeu o jeito dela,
estava segurando o elevador para irem embora. Ana ainda estava mancando, a
perna não pode ficar só na faixa.
_Se quiser posso te carregar ate o carro.
_Nada disso. Não posso ficar dependendo de todo mundo, se
não nunca vou recuperar!
Ele olhou para ela, achando graça do seu jeito torto. Foram
para o carro no estacionamento. Dentro do carro Ana colocou uma musica que
adorava no ultimo volume, ele ate tentou falar com ela, mas era impossível.
Sabia que ela evitava falar com ele sobre a noite passada. O transito estava
tranquilo, o banco de Ana foi puxado para trás, para que ela se acomodasse
melhor. Percebeu que não estava indo pelo caminho ate a sua casa, abaixou o
volume e ficou encarando ele.
_O que foi?
_Achei que estava me levando embora. Onde estamos indo
Lucas?
_Para minha casa e claro. Preciso tomar um banho antes de me
apresentar aos seus pais. E eu prometi para Helena que estudaria hoje com você.
Ela olhou para ela rindo, dessa vez venceu. Voltou a
aumentar o radio e prestar atenção no caminho. O dia começou mais ou menos, os
dois não queriam falar sobre aquele beijo. Só se o outro comentasse. O estomago
dos dois estava doendo, a fome já batia na porta. Ele estaciona o carro na
garagem, e viu que Ana já tinha saído do carro.
_Você vai subir?
_Claro. Quero ver se tem alguma coisa decente para comer...
Ela foi caminhando ate o saguão e entrou no elevador que já
estava com as portas abertas. ‘que sorte’ pensou.
_Senhorita!
Ela apertava o botão do 13º andar, mas nada acontecia. As
portas não fecharam o elevador não movia. A recepcionista vinha correndo lhe
falar.
_Senhorita, o elevador esta estragado... Estamos esperando o
mecânico vim interdita.
_Terei que subir pela escada?
_Sinto muito...
Ela voltou para o seu balcão. Ana saiu do elevador e ficou
olhando para Lucas que apareceu só agora. Ele olhou para ela e começou a rir.
Chegou perto e já a pegou no colo.
_Esqueci-me de avisar que teria que utilizar as escadas
senhora.
_Você e um idiota.
Ele foi subindo animado, mas logo ficou cansado, Ana pesou e
as escadas parecia não ter fim. Ela olhava para ele e ria. Não ia andar por
nada. Ele tinha que ser cavalheiro. ‘bem feito, preferiu vir aqui primeiro’.
Chegou ao andar dele e colocou-a no chão. Parou um pouco para recuperar o ar. Ela
ficou encostada na parede esperando ele abrir a porta.
_Cansou já?
_Claro que não. Foi moleza, o tênis que esta muito apertado.
Pegou as chaves no bolso, e abriu a porta. Foi direto para
seu quarto. Ela fechou a porta e foi ate a cozinha. Abriu a geladeira e só viu
verdura, leite desnatado, pão de soja. Fez uma cara feia. ‘isso não e comida de
verdade’. Revirou os armários todos ate encontrar bacon, ovos e óleo. Estava
pronta para preparar uma omelete acompanhada de bacon com muita cebola. Voltou
na geladeira e pegou uma cabeça de cebola pequena. Colocou a panela para
ferver, e começou a trabalhar com dificuldade por causa do braço. Lucas estava
falando com seu pai no telefone. ‘maldita hora para ligar’.
_Queria saber se esta
tudo bem com você meu filho.
_Esta sim... Estou ótimo. Preciso de nada de você papai.
_Como sempre ignorante
não? Mas eu queria te fazer só um pedido... Pare de sair com Analice. Ela não e
uma boa companhia para você. Você não lembra o que aconteceu com sua irmã?
_David... Ana não tem nada haver com suas paranóias com a
Sarah. E eu não vou sair do lado dela. Sou agora um amigo, e vou ajuda-la.
_Você vai e jogar o
nome da nossa família no lixo!
_E quem esta ligando para nome? Não pedi para ter seu
sobrenome. Você tem tanta vergonha de mim. Pare de me ligar, esqueça que sou
seu filho!
_Lucas... Você não
tem noção do erro que esta cometendo se envolvendo com essa desmiolada. E caso
vocês invadam novamente a propriedade escolar fora do horário de aula, não vou
pensar duas vezes em prendê-los.
_Faça isso. Prenda todos aqueles que estão no seu caminho.
Não sei como ainda falo com você.
_Você vai arrepender-se.
E eu farei de tudo para tornar a vida dela em um inferno...
A ligação
caiu. ‘cretino’.