_Ana, por favor, acorda! Você vai ficar bem...
Colocou a amiga no colo e ficou olhando para ela. Tentando
entender o que a levara a agir daquela forma na frente de todos. Será que fora
o ocorrido na sala que a deixou abalada? Levou ela para a enfermaria. A mulher
que estava lá olhou a pressão dela, e percebeu que estava gelada. Sua pulsação
não era normal, pois batia a cada 10 segundos. Chamou o diretor do colégio para
pedir explicações sobre o que aconteceu. Bela contou tudo o que vira ate ela
cair no chão. E contou também sobre as piadas dentro de sala. Ana já estava
acordada, e Zac estava do seu lado. Ele pediu a mão dela e a levantou. Saíram
escondidos sem serem visto. Ele de qualquer forma não seria visto. Foram
caminhando ate o lago proibido. Ficaram em silencio, ela não tinha mais o que
falar para ele. Sabia do que era capaz, se ele queria sua ajuda ela o faria
para seu próprio bem. Sentaram na sombra de uma arvore tão pertos que ela
percebeu que ele ainda estava segurando sua mão.
_Me desculpa por ter
me descontrolado daquela forma.
_Me conta sobre você, e o que quer de mim...
_Você e a única aqui
que pode me ver. Sentir-me. Tocar-me. Não quero que você vá embora sem antes me
tirar dali –apontou para o lago, que estava tão belo nessa manha. O sol
agora queimava, estava tão branca não se lembrava da ultima vez que pegou uma
cor. –você vai me ajudar certo?
_Como assim vou
tirar você dali. Não a nada lá... Ai meu Deus. –ela se levantou e largou a mão
dele. –você e o garoto que eles dizem que esta morto, não e? Por isso foi aqui
que eu te vi. Mas então você esta morto, mas como? O que você quer de mim?
Estava atropelando as palavras, não sabia se queria ouvir a
verdade. Começou a andar pra lá e pra cá. Com as mãos na cabeça. Não conseguia
olhar na cara dele. E ele não queria invadir mais uma vez o espaço dela. Tinha
que deixa-la pensar, para que ela pudesse ajuda-lo de verdade. Queria que tudo
já acabasse ali, agora. Mas ela não estava pronta pro que ele preparava para
ela. Seu celular começou a vibrar no bolsa de trás da calça. Não reconheceu o
numero, mas atendeu para não ter que falar nada com ele por um tempo.
_Alo?
_Ana onde você esta?
Por Deus não me diga que esta no lago...
_Eu estou numa
lanchonete. Perto de casa. Por favor, pegue minha mochila na sala. E leve mais
tarde a minha casa. Desculpa-me por ter ido embora, mas e que... –olhou para
ele. Como ela pode ter ido ate ali. Depois de tudo que ele fez com ela. Ontem à
noite... –Eu estou bem. Não diga onde estou. Irei para casa e amanha explico
para o diretor pessoalmente.
_Tudo bem amiga. Passo
na sua casa mais tarde. Fica bem... Ate logo.
_Tenho que ir...
Saiu correndo, e percebeu que ele não vinha atrás dela. E
não disse mais nada. Aquilo era impossível. Ele era um fantasma? Ou o que?
Uma... Alma. Parou e pegou no seu colar, e leu novamente a pequena frase. Ela
não e puro de alma. Não pode estar vendo almas de quem já morreu. Agora sim já
devia estar se achando louca. O que será que Nicole esta pensando agora. Com
certeza vai sair espalhando tudo que aconteceu no banheiro feminino. Quando só
estava ela e Ana. Saiu do bosque rapidamente. Não precisava de guia nenhuma
para isso. Pensou algumas vezes ate decidir para onde iria. Pegou um taxi nos
portões do colégio e foi para o centro da cidade. Parou em um mercado bem
simples e deu inicio a sua busca. Quando já era passara das duas da tarde, seu
estomago começara a roncar. Parou na frente de uma casa bem antiga. A rua era
calma e silenciosa, nenhum carro passava naquela hora. Subiu os degraus e bateu
na porta duas vezes. Demorou alguns segundos ate um senhor abrir a porta e
ficar encarando ela.
_Posso ajuda-la?
_Eu... Eu poderia conversar com o senhor?
Ele abriu a porta e ela entrou. A casa por
dentro era mais bonita, aconchegante e não muito moderna. Ele pediu que ela
senta-se no sofá, e foi ate a cozinha. Ela não poderia demorar muito lá.
Levantou quando ele sumiu de vista e subiu as escadas não sabendo onde
exatamente estava indo. Havia três portas e a que ficava no meio era um
banheiro. Abriu a primeira porta e viu uma cama de casal. Não era o que ela
procurava. Fechou a porta e foi para a segunda. Havia uma cama de solteiro,
muitos pôsteres espalhados pelas paredes. O tom das paredes era um azul bem
calmo. Tinha também uma mesa com um computador, uma estante com muitos livros e
CDs. Foi ate a cabeceira da cama e desabou ao encontrar o que queria. Tinha uma
foto nítida de Zac com o senhor que abriu a porta para ela e uma senhora.
Aquela foto devia ter uns seis, sete anos. Então ele era o filho que foi para o
lago e não foi mais visto. Ela começou a chorar, não entendendo o que se
passava. Pegou a foto e ficou olhando reparando as diferenças. Todas as vezes
que Zac a procurou estava sempre com os cabelos molhados. Mas ali na foto ele
estava seco, seu rosto era mais jovem. Agora ele devia estar com 24 anos. Não
sabia se ele a encontraria ali. Não sabia por que fora a escolhida para
ajuda-lo. Não sabe como pode ser a única a vê-lo. Eram tantas perguntas que
passavam na sua cabeça. Será que os pais dele ainda tinham esperanças de que o
filho estivesse vivo. Provavelmente a policia local arrancou deles todas as esperanças.
Pensou como seria se fosse ela a sumir. Seus pais não podiam mais ter filho
apesar de ainda serem jovens. Não teriam mais motivos para viver. Ficariam mais
velhos rápidos, possivelmente haveria uma separação. As casas que viveriam
futuramente não teriam mais a alegria de uma adolescente, única filha deles.
Deitou-se na cama e começou a chorar. ‘’coitado deles... Perderem um filho tão
novo... ’’ acabou pegando no sono. Quando acordou já estava vendo os primeiros
brilhos da lua cheia. Estava coberta, sentiu o cheiro do travesseiro e imaginou
ele deitado ali. Imaginou o quanto fora feliz naquela casa, naquele quarto. Não
sabia o dizer aos pais dele. Nem mesmo sabia se eram seus pais, podiam ser
avos, tios. Lembrou-se de quando o senhor abriu a porta para ela. Deveria estar
cansado de abrir a porta para policiais e investigadores. Alem de curiosos
querendo saber um pouco mais sobre o acidente do filho. Ainda não viu a mãe
dele, mas pela foto parecia jovem e feliz, ao lado dos dois homens da sua vida.
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